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Quanto custa o antifeminismo?

Foto do escritor: Luara Ramos
Luara Ramos
há 3 minutos
3 min de leitura
"Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis" (Provérbios 31:10)

O bolsonarismo não precisa acabar com o voto feminino, mas se quiser pode.


Após o 1º turno das eleições de 2026, o Partido Liberal (PL) terá as maiores bancadas do Congresso e, se eleito, Flávio Bolsonaro poderá indicar quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, nem é preciso ter muito trabalho, basta fazer com que as mulheres passem a duvidar da própria voz, terceirizando suas opções políticas para seus pais, namorados ou maridos.


O jornalista de extrema-direita diz que as mulheres votam mal porque sabe que as ideias consideradas progressistas são aprovadas pelo eleitorado feminino. A estratégia deles passa, então, por dizer qual “tipo" de mulher deveria votar e como elas devem ser representadas. É assim que candidatas antifeministas se tornam cúmplices no que pode até parecer contraditório e chocante, mas é parte do financiamento de um projeto extremista.


As mulheres são as responsáveis pela maior parte do serviço doméstico e do que chamamos de “Economia do Cuidado”; são elas que acompanham os filhos doentes, a mãe idosa, as crianças autistas. Também se dedicam no "dia da Mochila Maluca" e resolvem a maior parte dos problemas que surgem nos grupos de mães da escola, seja o presente para o aniversário do coleguinha ou a reunião com a professora para avisar que a criançada tá com piolho. Isso estende a jornada de trabalho, impedindo o acesso a melhores postos e salários (o que significa que também são elas as mais impactadas pela jornada 6x1). Tudo isso é trabalho, só que não é remunerado, então não entra no PIB.

Mulheres na economia do cuidado
Mulheres são as responsáveis pela maior parte do serviço doméstico e do que chamamos de “Economia do Cuidado": quem paga por isso? (Crédito: Brasil com S)

Quem é que paga por tudo isso?


Com as propostas de cortes em benefícios e aposentadorias - que torna seus dependentes ainda mais vulneráveis - as mulheres ficarão ainda mais sobrecarregadas. Por isso, é preciso convencê-las a realizar todo esse trabalho de maneira gratuita e criar até uma "tendência", de preferência com nome em inglês para deixar tudo muito sofisticado e dar um toque final de colonialismo, característica imprescindível a todo bom patriota.


Tradwives e outras velhas novidades


“Mulher sabe cuidar”, dizem aqueles que defendem a família tradicional, formada pelo pai provedor e a esposa virtuosa, que "vive" para a família. Mas falam isso enquanto frequentam orgias e são flagrados traindo suas esposas.


O bolsonarismo não odeia o feminismo porque o movimento “deturpa os valores conservadores”. Odeia porque o movimento é a expressão política das mulheres. É a denúncia de todas as formas de exploração, inclusive da representatividade vazia de uma possível futura Ministra da Economia, que pretende transformar direitos em mercadorias e agravar ainda mais a vida de outras mulheres.

Mudar a Constituição e fazer com que o “Estado Mínimo” se torne lucro máximo demanda que milhões delas acreditem que o “amor não tem preço”. Assim podem fazer de graça o que - na verdade - custa muito caro. Mas estamos no país do Vorcaro, onde o feminismo não é mais necessário, porque as mulheres já conquistaram tudo.


Afinal, elas podem ser o que quiserem, desde que sejam prostitutas, cornas ou empregadas domésticas.

As diferenças entre homens e mulheres ao longo da vida
Duas vidas, um sistema: a diferença entre homens e mulheres. (Arte de Beatriz Ramos com uso de IA)

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